Você edifica o túmulo dos profetas?

Alguma vez o chamaram de fariseu, legalista ou neopuritano? Ou melhor, você já chamou alguém por esses termos? Caso se encaixe em qualquer uma dessas duas situações, quero trazê-lo a uma breve reflexão através da Palavra de Deus e da história da Igreja.

Graças à bondade de nosso Eterno e Supremo Deus, a teologia reformada está crescendo aceleradamente no Brasil. Até mesmo Igrejas pentecostais estão abraçando pontos dessa teologia, apesar de não se reformarem por completo.

Os cristãos que se professam reformados compartilham em seus perfis no Facebook frases de João Calvino, Charles Spurgeon e muitos dos puritanos. Elogiam o zelo pela glória de Deus e suas vidas totalmente conformadas a Palavra. Porém, boa parte desses mesmos cristãos não suporta a verdadeira prática da piedade, criticam todos os que querem manter o culto puro e chamam de legalistas ou neopuritanos todos os que desejam resgatar as práticas bíblicas reformadas esquecidas pelos crentes.
Resumindo, repete-se nessas pessoas o que Jesus disse acerca dos fariseus de sua época:

Ai de vós! Porque edificais os túmulos dos profetas que vossos pais assassinaram.Assim, sois testemunhas e aprovais com cumplicidade as obras dos vossos pais; porque eles mataram os profetas, e vós lhes edificais os túmulos. Por isso, também disse a sabedoria de Deus: Enviar-lhes-ei profetas e apóstolos, e a alguns deles matarão e a outros perseguirão, para que desta geração se peçam contas do sangue dos profetas, derramado desde a fundação do mundo; desde o sangue de Abel até ao de Zacarias, que foi assassinado entre o altar e a casa de Deus. Sim, eu vos afirmo, contas serão pedidas a esta geração.
Lucas 11:47-51

Jesus estava acusando os fariseus de o rejeitarem assim como seus antepassados fizeram aos profetas. Eles edificavam seus túmulos, porém não davam ouvidos a Cristo e queriam matá-lo. Como os profetas apontavam para o Messias, estes judeus se faziam culpados dos pecados de seus pais que haviam rejeitado a mesma mensagem no passado.
Da mesma forma ocorre em nossos tempos. Muitos crentes gostam de dizer que são reformados e elogiam o procedimento dos reformadores. Porém, esses mesmos irmãos chamariam Calvino de legalista se estivesse vivo hoje pregando que a Escritura é o único padrão para um culto que agrada ao Senhor. Expulsariam Jonathan Edwards de suas igrejas se o ouvissem falar da guarda do Dia do Senhor.

Assim sofreram os reformadores na Inglaterra do Século XVII, que clamavam por uma pureza de vida e no culto público. Estes queridos irmãos foram apelidados de puritanos por aqueles que debochavam deles. Atualmente, os mesmos que elogiam os puritanos e “edificam seus túmulos” chamam de neopurtianos (ou legalistas), de forma pejorativa, todos aqueles que procuram viver um estilo de vida parecido.

A todos os que são chamados de neopuritanos, fariseus, legalistas e judaizantes, eu digo que tenham bom ânimo, pois da mesma forma zombaram dos grandes reformadores que viveram antes de nós. Aos que zombam deixo as seguintes palavras: certamente não devemos imitar os reformadores pelos simples fato de serem os reformadores. Porém, uma vez que a teologia desses homens foi testada pelo tempo e comprovada como fiel às Sagradas Escrituras, imitamos o seu exemplo assim como os irmãos tessalonicenses tornaram-se um exemplo de fé a ser imitado pelos cristãos da Macedônia e da Acaia (1 Ts 1:6-8). Semelhantemente, o apostolo Paulo recomendou que imitassem o seu exemplo, pois ele imitava Cristo (1 Co 11:1). Assim cremos ser com esses homens.
Recomendo aos irmãos que leiam os catecismos e confissões produzidos por eles de modo que verão que a fé defendida não passa da Sã Doutrina guardada também pelos pais da Igreja, Valdenses e outros homens fiéis à Cristo.

Tenham mais respeito por aqueles que estão resgatando as antigas práticas puritanas. Não julgue como legalista ou fariseu todo aquele que, por temor, procura obedecer à risca o que o Senhor ensina em Sua Palavra, conforme salmo 119:4: Tu ordenaste os teus mandamentos, para que os cumpramos à risca.
Estejam com os ouvidos atentos a toda explicação sobre questões difíceis acerca das doutrinas reformadas e considerem sobre o sério risco de estarem se fazendo réus do mesmo pecado que Jesus acusou os fariseus.

Aos que são zombados, deixo as seguintes palavras: tenham paciência com aqueles que zombam e não os desprezem. Orem por eles, para que suas mentes sejam iluminadas e seus olhos abertos para as maravilhas da Palavra de Deus. Aproveitem também a zombaria para a autoavaliação. Apesar de serem acusações falsas (ao menos na maioria das vezes), procurem sempre refletir se não há orgulho em seus corações. Olhem para si e vejam se a soberba não tem crescido. Jonathan Edwards costumava dizer que as acusações são excelentes oportunidades para refletirmos sobre nossos próprios pecados, ainda que sejam falsas.

Procurem sempre embasamento bíblico para qualquer coisa que aprenderem. Não aceitem um pensamento pura e simplesmente por ser defendido por um puritano.
Por último, deixo um consolo da Escritura para os que são zombados e uma reflexão para aqueles que acusam seus irmãos:

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Mateus 5:11,12

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A Lei de Deus – G. I. Williamson

CAPÍTULO XIX
DA LEI DE DEUS

  1. Deus deu a Adão uma lei como um pacto de obras pela qual Deus o obrigou, bem como toda sua posteridade, a uma obediência pessoal, inteira, exata e perpétua; prometeu-lhe a vida sob a condição dele cumprir com a lei e o ameaçou com a morte no caso dele violá-la; e dotou-o com o poder e capacidade de guardá-la.
    (Gn 1:26,27 com Gn 2:17; Rm 2:14,15; Rm 10:5; Rm 5:12,19; Gl 3:10,12; Ec 7:29; Jó 28:28) 
  2. Essa lei, depois da queda, continuou a ser uma perfeita regra de justiça, e como tal, foi por Deus entregue no Monte Sinai em dez mandamentos e escrita em duas tábuas (Tg 1:25; Tg 2:8,10-12; Rm 13:8,9; Dt 5:32; Dt 10:4; Ex 34:1). Os primeiros quatro mandamentos ensinam os nossos deveres para com Deus e os outros seis os nossos deveres para com o homem (Mt 22:37-40).

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VAI ASSISTIR O NOVO HOMEM-ARANHA?

Tom Holland, o novo ator que interpretará o herói aracnídeo nos cinemas, participou junto com a atriz Zendaya (que viverá seu par romântico) de um programa de TV chamado Lip Sync Battle, onde cada um é responsável de fazer uma imitação.

O que mais chama a atenção é que Tom começou interpretando a famosa música “Singing in the rain” e logo depois se travestiu de mulher para imitar Rihanna. Enquanto a Zendaya se travestiu de Bruno Mars.

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O CINEMA E OS DEZ MANDAMENTOS

Muito provavelmente boa parte dos que lerão esse texto vão se perguntar o que os dez mandamentos tem a ver com cinema, uma vez que o contexto evangélico brasileiro não vê muita utilidade no decálogo para os cristãos da Nova Aliança. Porém, o cristianismo histórico reconhece que ele é a lei Moral de Deus, isto é, os princípios de obediência e santidade para todos os crentes em todas as épocas. Veja o que diz a Confissão de Fé de Westminster, capítulo XIX, seção V:

“A lei moral obriga para sempre a todos a prestar-lhe obediência, tanto as pessoas justificadas como as outras, e isto não somente quanto à matéria nela contida, mas também pelo respeito à autoridade de Deus, o Criador, que a deu. Cristo, no Evangelho, não desfaz de modo algum esta obrigação, antes a confirma.” Continue lendo “O CINEMA E OS DEZ MANDAMENTOS”

Qual a relação entre o crente e o cinema? | Por Johannes Geerhardus Vos

Qual deve ser a atitude do crente para com o cinema?

Obviamente o crente em Cristo precisa assumir uma posição séria e consciente sobre o cinema, assim como para com todas as questões éticas. Não há dúvida que muitos, senão a maioria, dos filmes comerciais de hoje tem efeito maléfico, especialmente nos jovens. Por essa causa é que muitos crentes dedicados acham que não devem mais ir ao cinema definitivamente. Por ter sido tomada conscientemente e por ser uma questão de dever cristão e de consagração a Deus, essa decisão, é claro, deve ser respeitada por todos os crentes, até mesmo pelos que não concordam totalmente com ela. Por outro lado, muitos dos que professam o cristianismo parecem não sentir a consciência incomodar seja qual for o filme, mas assistem a qualquer “espetáculo” sempre que têm vontade. Continue lendo “Qual a relação entre o crente e o cinema? | Por Johannes Geerhardus Vos”

BEN-HUR e o segundo mandamento

E mais um filme baseado em um livro (de 1880) foi produzido este ano. Ben-Hur, remake de um dos filmes mais bem sucedidos da história (de 1959), conta a estória de Judá Ben-Hur, príncipe judeu que é traído por seu irmão, torna-se escravo e busca vingança através de uma corrida de bigas, um entretenimento tão violento como o UFC dos dias de hoje. Ambos claramente quebram o sexto mandamento. Podemos ver isso na exposição do Catecismo Maior de Westminster (CMW) na pergunta 136:

“Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém.” Continue lendo “BEN-HUR e o segundo mandamento”

Esquadrão Suicida | CriCrise #06

Posso dizer sem medo de errar que esse é um dos filmes mais esperados do ano. E se você é desses que está na expectativa, com certeza ficará um pouco frustrado depois de ler esse texto. Após anos de lançamentos de filmes de super-heróis, principalmente pela Marvel, a DC está lançando um longa um pouco diferente, porém nada fora dos quadrinhos. Esquadrão Suicida narra uma história em que diversos vilões são convocados pelo governo para formar uma equipe com o intuito de cumprir uma missão suicida. Em troca disso, eles teriam suas fichas limpas. Continue lendo “Esquadrão Suicida | CriCrise #06”

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